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O Uso de Máscaras ao Longo da Civilização

por Neire Sueli Munhoz

O ano de 2020 será marcado por grandes transformações de nossos costumes. Dentre eles o uso da máscara. Mas será que o uso desse importante recurso de proteção é tão recente, como imaginamos? Vejamos.
 
As máscaras são utilizadas, pela humanidade, desde tempos remotos. Ora como marca de grande religiosidade, permitindo, ao ser humano, adentrar o mundo do imaginário e acessar dimensões espirituais incomuns à existência material, inclusive tendo papel de destaque em rituais sagrados. Ora como símbolo de gratidão e/ou de festividade.
 
Encontramos, na história, registro desse uso na África, produzidas em cobre, madeira e marfim. No Egito Antigo, utilizavam-nas para enfeitar as múmias que seriam enterradas em seguida. Na Ásia, nos EUA e no Brasil, encontramos usos similares, utilizados de forma simbólica para enaltecer a deuses, à natureza e à arte.
 
Com o passar do tempo, passaram a ser utilizadas em festividades como Carnaval, Halloween e outras festas populares no mundo todo.
 
Do ponto de vista da Filosofia, a máscara representa um outro eu, que é desconhecido de nós próprios. E para Bachelard, somos seres profundos. "Ocultamo-nos sob superfícies, sob aparências, sob máscaras, mas não somos ocultos apenas para os outros, somos ocultos para nós mesmos. (…)" (BACHELARD: 1990:259,260)
 
Já para a Psicologia Analítica, desenvolvemos máscaras desde a infância para sermos aceitos e amados: primeiro com os pais, depois professores, e, mais tarde, com amigos e companheiros, e para isso construímos máscaras emocionais como forma de proteção à nossa saúde mental. Porém, nem sempre temos a consciência de que essas máscaras existem.
 
Atualmente, as máscaras invadiram nosso cotidiano como recurso de proteção, não de forma subjetiva, mas sim objetiva e concreta.
 
Peça obrigatória em todos os setores da sociedade, ela ganhou cores, formas e desenhos diversos, mostrando de maneira simbólica a personalidade, o gosto e a crença de seu usuário. Tudo é válido, menos estar sem ela.
 
Tão importante como a máscara emocional, a máscara real nos livra de dissabores, doenças e nos protegem, livrando-nos da mais atual e severa pandemia que ronda todos os países, a COVID-19.
 
Usemos nossas máscaras de forma inteligente e consciente.
 
Neire Sueli Munhoz é mestre em Educação pela PUC-SP, professora e coordenadora no Colégio Padre Anchieta.