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Saudade é o amor que fica

Sandra Pinho

Todos nós sabemos o que é saudade e, quando sentimos, muitas vezes, dá um aperto no peito. Nossa alma, ou essência, se reconecta com algo bom do passado que se relaciona à emoção daquele momento e, em seguida, vem a falta e o vazio que o presente carrega em si. Então podemos dizer que saudade está ligada à percepção do tempo.
 
Tempo sabemos o que de fato é? Ou vamos vivendo o presente com o vazio trazido pela saudade? Ou buscamos antecipar o futuro para acabar com a saudade de algo ou de alguém? Mas, e quando este alguém está fora de nosso alcance? Como seguir a vida com o aperto do peito ou dor na alma?
 
Muitas reflexões e uma certeza de que a vida segue inexorável, e o que nos resta é vivê-la de maneira que cada momento possa gerar saudades no futuro, porque saudade é o amor que fica! Quando sentimos saudade de alguém, é porque tivemos o privilégio de compartilhar carinho, afeto e, mesmo sem poder abraçar, ver ou falar com o ente querido, ficou o melhor de maneira empírica, o amor.
 
Estamos nessa existência como eternos aprendizes da vida, que pedagogicamente nos ensina e surpreende constantemente. Somos livres (ou pensamos que somos) para escolher, de acordo com certas circunstâncias, e colheremos os frutos dessas escolhas. Pense nisso, porque gerar afeto é uma alternativa ao nosso alcance diário. Ah! Então deixar saudades significará que fomos amados e afetuosos, pois tivemos a regalia de viver um dos sentimentos mais poderosos da existência humana: o amor.
 
Portanto, a capacidade de resiliência que permitirá amenizar a dor da saudade e enaltecer o amor que ficou. A nostalgia permite rememorar e honrar a memória dos que estão fora de nosso alcance para mantê-los vivos conosco. Afinal, das muitas lições da vida, o amor mantém viva a dinâmica da existência e dá sentido a ela.
 
Alguns seres humanos subestimam a própria capacidade de evoluir e ampliar a percepção de que tudo tem sua sincronicidade, e a morte pode ser compreendida como uma pausa e não como um ponto final.
 
Em memória (ou in memorian) de muitos que passaram por nossas vidas e, em especial, ao Marcos, amado irmão que faleceu ao completar 20 anos. Foi tão jovem e viveu intensamente. Era outubro de 2006, e a saudade oscila entre dor e amor.
 
Sandra Pinho
Educadora de História, Sociologia, Filosofia e Ética

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